Quem convive com refluxo gastroesofágico sabe bem o que é aquela sensação de queimação que sobe pelo peito, a azedume na boca, a tosse persistente sem explicação aparente. Na maioria dos casos, mudanças de hábito e medicação resolvem o problema. 

Mas existe uma parcela de pacientes em que o refluxo persiste ou volta, mesmo com tratamento clínico bem conduzido. É nesse cenário que a cirurgia entra em cena.

O que é o refluxo gastroesofágico?

O refluxo acontece quando o conteúdo do estômago, ácido, bile ou ambos, retorna ao esôfago. Isso ocorre porque a válvula que separa o esôfago do estômago, chamada esfíncter esofágico inferior, não fecha corretamente.

Quando esse refluxo é frequente e causa sintomas ou lesões, estamos diante da Doença do Refluxo Gastroesofágico (DRGE) — uma condição crônica que afeta milhões de brasileiros.

Quando o tratamento clínico não é suficiente?

O tratamento inicial da DRGE envolve mudanças de estilo de vida (perda de peso, elevação da cabeceira da cama, ajustes na dieta) e medicamentos, especialmente os inibidores de bomba de prótons (IBP), como omeprazol e pantoprazol.

Para muitos pacientes, esse tratamento funciona bem. Mas existem situações em que ele não é suficiente:

Como funciona a cirurgia?

O procedimento mais realizado para o tratamento cirúrgico do refluxo é a fundoplicatura, que consiste em envolver a parte superior do estômago (fundo gástrico) ao redor do esôfago, reforçando a válvula que impede o retorno do conteúdo gástrico.

Hoje, essa cirurgia é realizada por via videolaparoscópica, com pequenas incisões, sem abrir o abdômen. Isso resulta em menor dor pós-operatória, recuperação mais rápida e menor tempo de internação.

Quem pode se beneficiar?

A indicação cirúrgica é individual e precisa ser bem avaliada. Em geral, são candidatos à cirurgia pacientes que:

Pacientes com obesidade importante, distúrbios graves de motilidade esofágica ou outras condições específicas exigem avaliação mais criteriosa antes da indicação cirúrgica.

Resultados e expectativas

A cirurgia bem indicada e bem executada tem altas taxas de sucesso — a maioria dos pacientes consegue reduzir ou suspender os medicamentos após o procedimento e mantém controle do refluxo a longo prazo.

Como qualquer cirurgia, tem riscos e pode haver efeitos colaterais — disfagia temporária (dificuldade para engolir) é o mais comum no pós-operatório imediato, geralmente transitória.

A decisão é sua, mas precisa ser informada

Refluxo crônico que não responde ao tratamento clínico não precisa ser aceito como parte da rotina. Existem opções e a cirurgia, quando bem indicada, pode ser definitiva.

Se você usa medicação para refluxo há anos, os sintomas persistem ou você quer entender melhor suas opções, vale marcar uma consulta para uma avaliação completa.